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Acompanhando o caso Bruno pude notar como os famosos recebem tratamento especial quando são presos. Acredito que eles exigem alguns benefícios. Longe de querer ir para a cadeia por cometer algum crime, mas gostaria de fazer algumas exigências também, caso eu seja preso um dia.

Esse é sinistro.



Primeiramente eu gostaria que gravassem o mandato de prisão e que fizessem um filme com estreia mundial. Se possível contratar o Tarcísio Meira para ser o delegado. Os policiais devem ser policias verdadeiros, porque acredito que um ator não pode efetuar uma prisão. Tudo precisa parecer natural. E quando o longa-metragem estrear nos cinemas eu quero um longo tapete verde para receber as celebridades, porque não gosto da cor vermelha.

Devo, imediatamente, ter direito a dois telefonemas. Um para avisar algum familiar e outro para passar um trote para qualquer pizzaria. Vou perguntar se eles fazem meia quatro queijos e concluir que, nesse caso, a pizza passaria a se chamar dois queijos. Não quero roupas normais de presidiário, ou seja, os meus trajes precisam ser confeccionados pelo estilista Marc Jacobs e aparecer na novela Ti Ti Ti como uma nova coleção de Jacques Leclair.

Exijo que a hashtag #FreeMarcus permaneça entre os tópicos mais falados do twitter durante cinco dias seguidos, no mínimo. Também quero passeatas pelas principais avenidas do país, mas sem nenhum oportunista querendo fazer campanha política.

Gostaria de ser interpretado pelo humorista Eduardo Sterblitch no programa Pânico na TV e não quero participar do CQTeste. Aceito ser entrevistado pelo Jô Soares, desde que ele não toque aquele tambor. E a entrevista com o Jô funcionaria da seguinte maneira: eu teria vários interpretes e o Jô faria as perguntas e comentários em diversas línguas. Seria basicamente um teste para confirmar essa “poliglotagem” que ele tanto comenta. E o Bira teria que rir cinco vezes durante a entrevista, não mais do que isso. Gostaria também de fazer uma música improvisada com o sexteto.



Dentro da prisão eu não faria muita questão de ser visitado, porque se eu não recebo visitas nem em casa, quem dirá numa cadeia. Também não faço questão de banho de sol. Troco tudo isso por acesso à internet. Exijo, portanto, a minha conta no twitter, onde eu faria piadas do tipo “estou com o intestino preso” e “não sou do tipo que tem rabo preso, porque na verdade tenho o corpo todo”. Ainda no twitter, quero ser alvo de piadas do Bruno Mazzeo, mas com moderação. Em hipótese alguma quero ser assunto de PC Siqueira e Felipe Neto e exijo que alguém crie um “Marcus Di Bello is a rare bird from Brazil…” para sacanear os gringos.

Finalizando, gostaria de participar de um episódio de Saturday Night Live, com um esquete bem criativo numa penitenciária. E quero ser tema do Debate MTV, contanto que ninguém da mesa seja contra mim. O Lobão pode falar todas aquelas palavras difíceis que só ele entende porque eu acho aquilo muito bacana.

Essas são as minhas exigências. Não preciso nem de advogado. Basta eu ser famoso que ficarei apenas uma semana na cadeia e logo serei liberado. É sempre assim.

Sorvete

Está aí uma parada que eu gosto. Ideia genial da pessoa que inventou. Se todos tivessem ideias assim o mundo seria um lugar melhor de viver. Sorvete é tão bom que eu poderia ficar horas falando bem: é indispensável ao Petit Gâteu, com banana vira banana-split e no McDonald’s custa menos que dois reais. Está bem, não fiquei horas falando bem e só consegui dar três exemplos, mas isso não tira o mérito do sorvete.

Sorvete é algo muito democrático. Pode realmente custar menos que dois reais no McDonald’s, mas um pote caprichado no mercado não sai por menos que dez reais. Existem também os lugares que vendem sorvetes caríssimos (eles usam um congelador de ouro para manter o sorvete gelado?) e os famosos picolés por cinqüenta centavos. Entende? É agradando todas as classes sociais que o sorvete conseguiu chegar a um lugar tão privilegiado. Nem um vlogger conseguiria isso a longo prazo.



Vou contar um caso pessoal que pode parecer estranho, mas é verdade. Certo dia eu me apaixonei por um pote de sorvete. A paixão foi tão grande que eu não quis comê-lo – e me sentiria mal se o fizesse. Por isso guardei o pote no congelador. Afinal, sorvetes são amigos e não comida. Mantive a minha atitude firme por algumas semanas.

O problema são as piadinhas. Sorvete vem sempre acompanhado das palavras “chupar” e “duas bolas”. Pessoas que fazem piadas desse naipe são as mesmas que escrevem ancioso ao invés de ansioso. Comer banana-split não te transforma em homossexual, a não ser que você faça isso transando com três homens e comentando que o Alexandre Borges está maravilhoso na nova novela da Globo.

Totalmente heterossexual, pode comer tranqüilo



Uma dica interessante agora: a sorveteria é um bom lugar para você levar aquela gatinha (gatinho, no caso das meninas). Veja bem, amigos, se for uma sorveteria normal será um encontro barato e sorvete é algo que forra o estômago tranquilamente. Sem contar que os beijos ficam sensacionais. É como o truque do halls. Qualquer hora eu discorro melhor sobre o assunto. Voltando à sorveteria, eu indico. Conheço pessoas que conheceram o amor da vida delas comendo sorvete.

É isso mesmo, comendo sorvete. Não sou do tipo que diz “tomar sorvete”. Eu não bebo o sorvete num copo e nem misturo com Vodka. Eu como, realmente o mastigo e sinto a textura. Beber sorvete é nojento, parece que está derretido e convenhamos que sorvete derretido é como um seio sem bico. Não sei qual o sentido da minha analogia, mas nos dois casos é muito bizarro.

Para finalizar destaco que sorvete é bom em qualquer hora e em qualquer lugar. E sobre a paixão que contei no terceiro parágrafo, bem, na quarta semana não resisti e abri o pote para comer o sorvete que tinha dentro. Surpreendi-me quando vi que era um pote com feijão congelado. Acontece.

Taxistas

Taxistas são pessoas muito solitárias que conhecem todas as ruas e putas da cidade. São ótimos para dar informações, principalmente porque não cobram por isso, além de serem os principais clientes dos botecos de esquina.


Esse nem é taxista de verdade




Meu problema com taxistas é o preço que eles cobram logo quando eu entro no carro. Pagar cinco reais para abrir a porta e sentar me faz querer entrar pela janela e ficar de pé para economizar. Entretanto, concordo que pegar táxi é algo útil quando não há outra saída. Eles conhecem tantos lugares que seriam capazes de me levar para a puta que pariu.


Seu Manuel, um verdadeiro taxista




Taxistas costumam ser malandros. Se precisassem ir do Rio de Janeiro à São Paulo dariam um jeito de passar em Buenos Aires. Não que fosse algo ruim, porque é uma cidade que eu gostaria muito de conhecer. Mas pelo preço cobrado eu poderia comprar uma argentina loira de olhos azuis se quisesse.


Péssimo taxista, péssimo figurino e péssimo ator.




Uma vez certo amigo resolveu puxar papo com um taxista, ação completamente suicida. Pode parecer incoerente, afinal é de conhecimento público que são os próprios taxistas que puxam assunto. Mas passava da meia-noite e com certeza o rapaz que dirigia o carro não estava muito a fim de conversa. O diálogo que seguiu foi mais ou menos assim:


Meu amigo: Você gosta de música?
Taxista: Han?
Meu amigo: É cara, música. Você gosta de qual estilo?
Taxista: Ahn… gosto de algumas coisas, só não gosto de funk.
Meu amigo: Eu também, mas sabe que tem funk que eu gosto. Como aquela música do Adultério, acho muito legal.
Taxista:


E até hoje eu dou risada disso.

Sinto satisfação em ter centenas de visitas mesmo quando fico dias sem passar por aqui. Mas ao mesmo tempo sinto obrigação de escrever algo. Pelo menos dizer que eu estou bem. Não, não é isso que vocês procuram. Querem textos divertidos. Começo a procurar por algum assunto.

Faixa de pedestre. Nunca falei sobre faixa de pedestre e nunca usaram esse tema em texto humorístico. Posso falar o quanto odeio faixa de pedestre, mas não encontro argumentos. Entendo o motivo de nunca terem usado o tema. Aniversário de criança é bem corriqueiro, mas ninguém nunca falou sobre a luta pelos brigadeiros. Parece uma boa ideia escrever sobre isso. Então lembro que não tenho uma festa de aniversário desde os 6 anos de idade e que também não sou convidado por ninguém. Não tenho repertório para esse tipo de tema.

Me convida, por favor.



Abrir o editor de texto talvez ajude. Digito algumas palavras e no final percebo que estou fazendo a lista de compra do mês. Escrevo mais um pouco e me dou conta que escrevi um texto adulto. Não devia ter ficado assistindo multishow até tarde. Guardo em outro arquivo caso alguma produtora de filmes pornô entre em contato.

Minha mãe! Não, não vou escrever sobre ela. Se bem que seria uma boa ideia. Mas não, o que eu quero dizer é que ela pode ter a solução. Afinal, mãe serve para isso. Bato na porta dela e pergunto que tema eu poderia usar para escrever um texto. Ela responde dizendo “O quê? Vai dormir, são 4 da manhã”. Não é um bom tema.

Falar sobre a copa do mundo é muito batido. Falar sobre eleições é muito CQC. Falar sobre o meu dia-a-dia é muito Stand Up Comedy. Falar merda é muito Legendários. Não consigo produzir um bom texto. Logo, percebo. Eis o meu texto. Então lembro daquela ilustre frase de Pero Vaz de Caminha “O que você mais procura pode estar bem debaixo do seu nariz”, minutos antes de descobrir que o que ele procurava era a própria a boca.

1. ELA É TETRACAMPEÃ

Imagina que incrível seria se a Itália ganhasse essa copa e se tornasse, ao lado do Brasil, pentacampeã mundial. Seriam as duas seleções mais poderosas do mundo e assim o Brasil não seria o maior campeão de todas as copas isolado. Poderíamos estreitar as nossas relações com a Itália e a Copa do Mundo de 2014 seria o desempate, deixando a decisão vir para terras tupiniquins. É dar um passo para trás hoje para dar dois passos para frente amanhã.

2. SÓ VOCÊ VAI TORCER

O país inteiro está se pintando de verde e amarelo. Essa é a hora de você mostrar que não segue modas e começar a torcer por uma seleção diferente. Além de ser uma seleção que realmente tem chances de ganhar o mundial. Não é igual torcer pela Sérvia só por eles terem um time simpático. Sabemos que os sérvios tomarão um pau da Alemanha. Mas a Itália não, eles possuem um bom time.

3. O PAÍS PARECE UMA BOTA



Aprendi na aula de geografia. Acho um bom motivo para torcer por eles. Melhor do que a Austrália que parece uma concha, o Chile que parece uma modelo de passarela ou a Noruega que parece um pênis caído.

4. PIZZA

Se a Itália for campeã poderei comer muita pizza sem me sentir culpado. Viva Azzurra!

5. CANAVARRO

Heterossexualmente falando, é um cara bonitão.

1. FEDE

Você não enche a boca de bosta, por que então colocar um cigarro fedorento na boca? E não basta só isso, também deixa a roupa fedendo. Francês fuma para botar a culpa do mau cheiro no cigarro, inglês fuma porque tem dente feio, mas você que é brasileiro não precisa passar por isso. Vai por mim. Cigarro fede tanto que eu não consigo nem pensar em uma boa analogia só de lembrar do cheiro.


2. É DE POBRE

Afinal, rico fuma charuto.



3. SOLTA FUMAÇA

Tudo que solta fumaça é ruim: incêndio, barraca de milho, índio e cigarro.


4. AS PESSOAS PEDEM

Então você compra um maço de cigarros com um aperto no peito por ter gasto o dinheiro da mistura. É quando aparecem os pidões. “Me dá um cigarro”. Quando você vê o maço acabou mais rápido que ingresso da Madonna.


5. COWBOY

RIP 1992




6. TEM FORMATO DUVIDOSO

Branco, roliço e com a ponta vermelha. Eu é que não vou colocar isso na boca.

Faz algum tempo que quero escrever sobre esse assunto, mas imaginei que o meu texto não seria politicamente correto e desagradaria algumas pessoas. Desde pequeno sou induzido ao politicamente correto. Lembro, lá pelos meus 7 anos de idade, quando eu comentava sobre um filme com a minha mãe e falei “esse negrinho é muito engraçado”. Na mesma hora ela me corrigiu, disse que eu devia falar “moreno”. Até hoje peço café moreno por causa disso.

Eu me vigio muito quando estou criando algo humorístico. Fico com medo que alguém ache ofensivo. Outro dia pensei em algo engraçado com o tema “suicídio”. Não era piada maldosa, apenas uma observação cômica. Resolvi não escrever. Depois pensei melhor e vi que estava sendo muito radical. Não era uma piada ofensiva e uma pessoa que está pensando em suicídio não tomaria uma decisão por causa de uma frase minha.

- Vou me suicidar… Mudei de idéia, vou ler uma piada do Di Bello… Mudei de idéia de novo.

Faço faculdade na área de comunicação e muitas vezes tiro sarro dos estudantes de outras áreas. Engenharia é o meu alvo principal. É sadio. Pensar em ser politicamente correto o tempo inteiro deixaria o mundo muito sem-graça. Por motivos óbvios eu não tiro sarro do pessoal de Educação Física. Eles fazem musculação.

Minha irmã mais nova me ensinou uma nova música. É algo assim: “Não atire o pau no gato / porque isso / não se faz / o gatinho é nosso amigo / não devemos maltratar os animais / miau”. É uma nova versão da “Atirei o Pau No Gato”. Qual era o problema com a música antiga? Para que distorcer a essência da boa e velha cantiga que embalava nossas tardes na escola? Cadê a Dona Chica e a sua admiração? Até parece que uma criança não sabe que não se pode maltratar um animal – nem mesmo da própria espécie.

Chega do politicamente correto exagerado que só nos faz mal. As pessoas tentam tirar vantagem sobre nós, os bandidos não se preocupam e nem mesmo os políticos são “politicamente” corretos. Deixa a música falar do gato que foi atingido por um pau, mas não morreu. Deixa a bruxa malvada no conto-de-fadas. Deixa a piada que não ofende ninguém. Ruim mesmo é o risco que temos de levar um tiro na esquina a qualquer hora. E não terá ninguém admirando o nosso berro.

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