Adiei o máximo que consegui, mas agora chegou a hora de apagar a luz do Pizza de Escarola. O espaço continua para que mais infelizes tenham a infelicidade de ler textos nada felizes. Fico devendo o final da história de Jesus Cristo, o filho de Deus. Resumindo: Judas foi malhado e montou uma academia. Tomé inventou, trinta anos depois, a sua marca própria de colírios. E Pedro montou uma dupla sertaneja. Os outros apóstolos não tiveram grandes feitos.
Apago a luz da casa, mas deixo o abajúr ligado no corredor. Quem quiser continuar acompanhando algumas besteiras minhas, pode acessar o site: http://issoeamor.tumblr.com/. Lá eu mostro o que é o que não é amor. Mande a sua pergunta. Podem me encontrar também no twitter e pelo facebook. Se virem para achar.
Obrigado a todos. Sinto muito pela luz apagada, mas não sou sócio da light.
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Adivinha quem está de volta? É isso mesmo. Mas não fiquem com as trombas eriçadas, caros proboscídeos. Passo por aqui mais como uma visita que aparece para tomar um chá do que como um hóspede chato que carrega consigo mala e cuia. Gostaria de voltar a escrever no Pizza de Escarola, mas nunca ganhei um centavo por isso e eu preciso pagar contas.
Vamos ao que interessa. Precisava de um texto forte para essa visita, então pensei em mil possibilidades, mas escorregava sempre para a que me parecia mais interessante e, provavelmente, mais polêmica. Então segura firme e me dê a mão porque vamos falar de Jesus Cristo.

Jesus, tem uma Lua na sua nuca. Mas calma, não precisa chorar.
Sei que já falei de Jesus uma vez, mas nunca é demais falar do Salvador. Veja bem, não faço piada com coisa séria, apenas exponho alguns pontos muito interessantes de serem discutidos. No último texto sobre Jesus Cristo falei sobre o famoso embate entre o filho de Deus e Tomé, aquele que só acreditava se tocasse na ferida. Jesus então, num truque que invejaria Criss Angel, o ilusionista, reaparece na presença de todos e esfrega as marcas da crucificação na cara do seu discípulo. Grande jogada. Nem no GTA eu teria tanto sangue frio assim. E olha que eu já trepei com prostituta no jogo, passei a serra elétrica, roubei todo o dinheiro e depois as joguei no mar.
Mas analisemos a vida de Jesus Cristo. Deve ser difícil nascer sendo o filho de Deus. É como você ter um pai muito rico que não te dá pensão. De que valia para Jesus ser filho do criador do mundo se o padrasto era um mero marceneiro? Não estou desmerecendo a profissão, até porque graças a isso que Jesus sempre teve lugar para guardar as próprias roupas, mas é que é complicado, não tem como negar. O fato é que esse era só o primeiro problema envolvendo José. Raciocina comigo. Quando José casa com Maria se sente o melhor homem do mundo. Para o homem, casar com uma virgem é como dirigir um carro novo. Ou comer um pão fresquinho. Ou ler um livro novo. Ou calçar um sapato que acabou de sair da loja. Ou qualquer outra analogia que vocês queiram inserir. Ao descobrir a gravidez da esposa fica bravo e realmente era difícil de acreditar quando ela veio com o papinho de anjo Gabriel enviado por Deus. Está bem, vamos acreditar em Maria. A criança nasce e demora dez meses para começar a falar, até então normal para uma criança. Aos dois anos Jesus começa a andar e aos cinco cria o próprio Orkut. Coisas muito normais para crianças normais, mas onde está então o filho de Deus? José quer a prova de que aquela criança era especial e eis que a teve.
Aos sete anos de idade Jesus, acidentalmente, bebe meio litro de vinho. Aconteceu quando pegava um copo de água para beber. José vê a chance de um grande negócio. Iria, enfim, largar a marcenaria e abrir uma vinícola. Será que a vinícola de José será bem sucedida? Jesus, o filho do homem, aguentará essa exploração? Todas as respostas você acompanhará após a próxima foto.

WOAAA! I Feel Good. Panananananan...
É claro que não dá certo. Enquanto os clientes estavam escolhendo as garrafas Jesus vinha com o papo de amar ao próximo. Logo a vinícola fracassou e para não enfrentar a ira de José, Jesus resolve fugir de casa. É quando ele conhece onze amigos. Resolvem treinar o time para disputar a segunda divisão de futebol do oriente médio, com Jesus sendo o técnico de uma seleção que, para muitos da época, era o Dream Team. Com Pedro, sólido como uma pedra no gol, e a dupla de ataque Tiago de Zebedeu e Tiago de Alfeu realmente não tinha para ninguém. Infelizmente em pouco tempo o sonho havia acabado e todos resolveram se aposentar. É quando Jesus mostra suas ideias aos onze amigos e, juntos, resolvem divulgar a palavra de Deus pelos quatro quantos do mundo. Jesus queria chamar mais um para o grupo, pois acreditava que a numerologia ajudaria nessa nova etapa. Pediu aos amigos que recomendassem alguém de confiança. Então Judas integrou a equipe e o que antes era os onze amigos virou os doze apóstolos (palavra que Jesus leu em um livro do Dan Brown).
Os doze apóstolos e Jesus viajavam pela região. Entre cegos que voltavam a enxergar, rodas de capoeira sobre a água e ceias que duravam até de madrugada, os treze amigos levavam as vidas numa boa. É quando Jesus resolve fazer a última ceia. Nela ele pretende repassar os ensinamentos de Deus para um número imenso de pessoas.

Pai... me empresta a chave do carro?
Não houveram falhas na divulgação do evento e mesmo com a promoção “sandália franciscana no pé até meia-noite não paga” apenas doze apareceram. Os doze apóstolos. Resolveram aproveitar o momento. Jesus abriu uma garrafa da ex-vinícola do pai e dividiu restos de unha (ele havia cortado as unhas mais cedo) com os apóstolos. Esse é o meu corpo, disse a eles. Então acontece. O anúncio da traição. Alguém nessa mesa irá me trair, exclama Jesus. Será que ele descobrirá o traidor? Será que os dias de Jesus na terra estão contados? E, afinal, será que ninguém vai perceber que está comendo pedaços de unha? Isso e muito mais você confere no próximo texto, onde iremos esmiuçar o final da última ceia e os momentos mais difíceis de Jesus Cristo, o filho de Deus.
CONTINUA…
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Segue na íntegra um texto meu que foi publicado na coluna “revezamento” do site www.osprimitivos.com
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Sinto-me honrado por ter recebido um convite para escrever um texto para “Os Primitivos”. É um grande passo na minha carreira. Mas eu penso grande. Idealizo passos maiores. Para vocês terem uma ideia, eu sei exatamente o que aconteceria se eu me tornasse o dono da Rede Globo.
A primeira medida seria proibir a Ana Maria Braga de ler mensagens de Power Point no início do programa “Mais Você”. Também o deixaria mais interessante colocando o sexteto do Jô para fazer a trilha sonora na hora das receitas e tirando o Louro José, colocando o mesmo para apresentar o programa “TV Globinho”, que é o lugar ideal para um boneco. Passando para o começo da tarde, reformularia o “Globo Esporte” colocando Larissa Riquelme como apresentadora. Aproveitaria a paraguaia e a transformaria em âncora principal do “Jornal Hoje”.
No “Vídeo Show” eu realmente colocaria alguns shows. De segunda a quarta seria rock internacional, quinta seria dia de jazz e sexta a vez dos artistas nacionais. Em “Vale a Pena Ver de Novo” teríamos mais uma vez Larissa Riquelme, fazendo jus ao nome do programa. Manteria o resto da programação, apenas exigindo algumas alterações no “Programa do Jô”. Não seria permitido usar gravatas extravagantes e nem tocar tambor.
Os programas de dias específicos sofreriam as seguintes mudanças: “Casseta & Planeta” deixaria de ser urgente. Quarta contaríamos com um programa especial para Cléber Machado antes do futebol, onde ele poderia filosofar à vontade. Uma pequena redução no elenco de “A Grande Família”, alterando o nome do programa para “Morando Sozinho Numa Cidade Muito Longe da Minha Família, E Agora?”.
No sábado eu mudaria o conceito do programa da Angélica, o “Estrelas”. No lugar da loira colocaria um professor de astronomia que contaria curiosidades sobre o sistema solar. O programa “Altas Horas” passaria a ser ao vivo, no mesmo horário que ele é exibido atualmente. Inclusive, aproveitaria os atores de Zorra Total e pediria que o Serginho Groisman propusesse alguns jogos de improviso.
No domingo deixaria o Kid Bengala contar sobre sua firma de pouca expressão no mercado econômico no “Pequenas Empresas, Grandes Negócios” e criaria o “Aventuras do Dedé” antes do programa do Didi, apenas para gerar polêmica. Obrigaria o Faustão a voltar a ser gordo e colocaria três poetas da casa apresentando o “Fantástico”: Pedro Bial, Cléber Machado e Patrícia Poeta.
Pense grande você também. O mundo continua intacto enquanto os pensamentos ficarem apenas na sua cabeça.
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Para acessar o texto no site basta clicar em www.osprimitivos.com/pense-grande.html
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Sou um grande entusiasta político. Faço parte da galera que gosta de ouvir todos os lados e avaliar as propostas. Nessas eleições já assisti a três debates, além de um outro debate que acabei acompanhando a repercussão pelos jornais. O problema é que eu enjoei. Esse modelo de debate já está ultrapassado e, apesar de ser democrático, torna o embate político monótono. Uma reformulação nesse modelo é a solução.
Para começar os candidatos poderiam intervir quando bem entendessem. Dessa maneira o debate teria mais confronto direto e o melhor argumento é o que venceria no final. E nada de sorteio para decidir quem pergunta e quem responde. Seria usado um sistema parecido com o que é utilizado em programas de auditório, com um botão que acende uma lâmpada. Teriam o direito de pergunta e resposta os candidatos mais rápidos.
Todos os candidatos teriam a obrigação de fazer, no mínimo, uma pergunta indiscreta. Exemplo: “Candidato Serra, conhecemos a sua trajetória política. Quero saber se a sua empregada já pegou o senhor se masturbando no quarto”. Passaria também a ser obrigação dos candidatos a leitura de, no mínimo, três piadas do twitter a respeito do debate. Exceto as do Danilo Gentili.

É PV ou Pcomê?
Um bate bola jogo rápido seria feito com todos os candidatos no penúltimo bloco. Aquele que demorasse na resposta voltaria cinco casas no tabuleiro. O Lobão seria escalado para mediar todos os debates, separando o tempo da seguinte maneira: trinta segundos para a pergunta, um minuto para a resposta e cinco minutos para a réplica e tréplica do Lobão. Com essa medida o debate ficaria periclitante e opulente.
Partidos menores poderiam participar dos debates, desde que não abrissem a boca. As perguntas dos jornalistas seriam feitas em russo, apenas para pregar uma peça aos candidatos. Nos intervalos passaríamos a ouvir comentários de Arnaldo César Coelho e a cada bloco ligaríamos para eliminar um dos participantes.
Acredito que são medidas perfeitas para melhorar a qualidade dos maravilhosos debates políticos. Vocês têm três linhas para a réplica.
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Estava fritando batatas quando um pensamento muito aleatório tomou conta da minha cabeça. Afinal, como seria a namorada perfeita? Não digo a mulher perfeita, sem defeitos, mas uma futura-namorada ideal para mim. Resolvi dividir minhas divagações com vocês, amigos.
Minha futura-namorada precisa fritar batatas tão bem quanto eu. Não precisa nem ser melhor, porque seria exigir demais. Sou muito bom na cozinha e seria interessante ter uma namorada que dividisse as tarefas comigo. Experimentar um bom tempero e ver se o fogo está ideal são tarefas muito românticas. Ela poderia cozinhar de calcinha para mim que eu comeria até jiló com amêndoa. Permanecendo nas tarefas caseiras, minha futura-namorada precisa saber arrumar um quarto, porque o meu vive bagunçado. Eu ajudo se for preciso, sem problema nenhum. Arrumar sozinho é muito chato.
Minha futura-namorada precisa entender os meus hábitos noturnos. Não serei do tipo de namorado que liga de manhã desejando bom dia, porque esse horário eu estou dormindo. Minha criatividade funciona de madrugada e eu vivo disso. Não é capricho, é questão profissional. São quase seis da manhã e eu estou aqui escrevendo esse texto. Seria bom que ela acompanhasse essa minha jornada noturna, preparando um leite quente e me fazendo carinho. Ela poderia até tentar me tirar dessa vida e me esperar na cama que talvez eu fosse deitar com ela mais cedo. Seria falta de ética da parte dela, mas eu entenderia e aprovaria.
Minha futura-namorada precisa saber tocar guitarra. Não quero que tenha banda e nem que chame os amigos para fazer uma jam-session aqui em casa. Basta saber tocar alguns acordes e o solo de Something, dos Beatles.

Dica: começa com RÉ, MI, SOL, MI.
Minha futura-namorada precisa me fazer uma festa surpresa. Eu sempre quis ter uma, mas o problema é que eu sempre espero que as pessoas façam. Então ela precisa me convencer de que eu não terei uma festa surpresa. Precisa saber fingir muito bem para me enganar. Quem sabe até fazer a festa surpresa em um outro mês. Faço aniversário em setembro, talvez fazendo a festa em maio consiga me surpreender, mas mesmo assim precisa ser muito bem organizada. Nesse caso vale fazer a jam-session com os amigos na festa.
Para terminar, minha futura-namorada precisa ter mau hálito de manhã. É que eu tenho mau hálito ao acordar e gostaria de me sentir bem quando acordarmos juntos. Não quero ficar com vergonha de falar algo bonito e não gosto de acordar e correr para escovar os dentes. Com uma namorada com mau hálito eu me sentiria mais seguro porque ela não poderia reclamar de mim. Passaríamos um tempo muito agradável na cama.
Essas são as minhas exigências. Não estou pedindo muito. Alguma candidata?
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Sou do tipo de pessoa que toma partido. Não posso ver dois lados que procuro me informar e defender uma das partes. Acredito ser uma boa virtude, tanto que coloco sempre no meu currículo. É inevitável que eu não tome partido ao analisar um dos trechos mais emblemáticos da bíblia. Um assunto delicado. Sigam o raciocínio, amigos:
O trecho é a negação de que Jesus Cristo estaria vivo, protagonizado por Tomé. “Não acredito, a não ser que veja as feridas dos pregos nas suas mãos, ponha os dedos nelas, e toque com a minha mão na sua ferida do lado.”, disse o apóstolo. Veja bem, não há qualquer bobagem no que foi dito. Afinal, poderia ser um delírio coletivo dos outros apóstolos a tal afirmação da ressurreição. É verdade que uma das mais fortes pregações de Jesus era evitar mentiras, e, nesse caso, os apóstolos não tinham motivo para fazer isso. Principalmente porque com coisa séria não se brinca.

Jesus Gatão.
Longe de duvidar de Jesus Cristo, mas é que é difícil de engolir esse lance de ressurreição. Pode ser uma coisa muito normal para quem transforma água em vinho e anda sobre a água, mas para nós, meros mortais, é um lance meio sinistro. Tomé não tem culpa, ele tem o direito de não acreditar. Pensem bem, todos estavam muito chateados com a morte do mestre, é normal acontecer certos tipos de distúrbios. Mas Jesus tem certa razão, Tomé deveria confiar nos amigos. É como no teatro. Cada ator precisa confiar um no outro, do contrário a peça não acontece.
Mas eis que acontece o seguinte: oito dias após a negação de Tomé acontece o que ninguém esperava. Jesus volta e, dessa vez, na presença de Tomé. Essas aparições dele deviam ser mais inconvenientes do que stand-up comedy, mas quem sou eu para achar algo. O fato é que, ao voltar, Jesus não contou como era o paraíso e nem mostrou fotos da viagem – o que qualquer outro faria no lugar dele. Ora, se Jesus Cristo fosse tão previsível não seria Jesus Cristo. Ele provoca Tomé: “Mete o dedo nas feridas das minhas mãos, e a mão no meu lado. Não continues descrente. Acredita!”.
Avalie bem o quão desagradável foi esse momento. Poderia muito bem ter sido evitado. Constrangimento desnecessário. Tomé, sem graça, exclama “Meu Senhor e meu Deus!”. Então Jesus olha bem no fundo dos olhos de Tomé e diz “Crês porque me viste, mas benditos os que não me viram e, mesmo assim, crêem.”.
Então eu não entendo. O certo então é acreditar em tudo o que falam, não importa o quão absurdo possa parecer. Se um guarda pára o meu carro e pede os documentos basta eu falar que eles estão no porta-luvas e que estão em ordem e, nesse caso, bendito será o guarda que crer sem conferir. Acredito que a lei vale para todos, afinal, somos todos filhos de Deus. Logo, até Jesus Cristo deveria mostrar o documento do carro.
Além do mais, acho que Jesus foi um pouco arrogante com Tomé e essa é uma atitude que eu não espero do salvador. Tomé tinha motivos pessoais para não acreditar em Maria Madalena, a primeira que disse ter visto Jesus, e nos apóstolos. Se Judas deu informações de Jesus em troca de algumas moedas por que os outros apóstolos não poderiam ser subornados a passar informação falsa? Tomé foi muito corajoso em acreditar apenas no que os olhos vêem. Tomé não está descrente de que a economia americana nunca irá se reerguer ou de que as Coréias nunca irão se unificar. Ele apenas não acredita que um homem, por mais poderoso que seja, tenha ressuscitado apenas para dizer “A paz seja convosco”.
Depois dessa analise acredito que Tomé esteja coberto de razão e não merecia passar pelo constrangimento que passou diante dos outros apóstolos. Entretanto, fico do lado de Jesus porque não sou bobo. Ele disse que voltaria e eu não quero arranjar briga a toa.

- Calma. O texto acabou. Está tudo bem agora.
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Acompanhando o caso Bruno pude notar como os famosos recebem tratamento especial quando são presos. Acredito que eles exigem alguns benefícios. Longe de querer ir para a cadeia por cometer algum crime, mas gostaria de fazer algumas exigências também, caso eu seja preso um dia.

Esse é sinistro.
Primeiramente eu gostaria que gravassem o mandato de prisão e que fizessem um filme com estreia mundial. Se possível contratar o Tarcísio Meira para ser o delegado. Os policiais devem ser policias verdadeiros, porque acredito que um ator não pode efetuar uma prisão. Tudo precisa parecer natural. E quando o longa-metragem estrear nos cinemas eu quero um longo tapete verde para receber as celebridades, porque não gosto da cor vermelha.
Devo, imediatamente, ter direito a dois telefonemas. Um para avisar algum familiar e outro para passar um trote para qualquer pizzaria. Vou perguntar se eles fazem meia quatro queijos e concluir que, nesse caso, a pizza passaria a se chamar dois queijos. Não quero roupas normais de presidiário, ou seja, os meus trajes precisam ser confeccionados pelo estilista Marc Jacobs e aparecer na novela Ti Ti Ti como uma nova coleção de Jacques Leclair.
Exijo que a hashtag #FreeMarcus permaneça entre os tópicos mais falados do twitter durante cinco dias seguidos, no mínimo. Também quero passeatas pelas principais avenidas do país, mas sem nenhum oportunista querendo fazer campanha política.
Gostaria de ser interpretado pelo humorista Eduardo Sterblitch no programa Pânico na TV e não quero participar do CQTeste. Aceito ser entrevistado pelo Jô Soares, desde que ele não toque aquele tambor. E a entrevista com o Jô funcionaria da seguinte maneira: eu teria vários interpretes e o Jô faria as perguntas e comentários em diversas línguas. Seria basicamente um teste para confirmar essa “poliglotagem” que ele tanto comenta. E o Bira teria que rir cinco vezes durante a entrevista, não mais do que isso. Gostaria também de fazer uma música improvisada com o sexteto.

Dentro da prisão eu não faria muita questão de ser visitado, porque se eu não recebo visitas nem em casa, quem dirá numa cadeia. Também não faço questão de banho de sol. Troco tudo isso por acesso à internet. Exijo, portanto, a minha conta no twitter, onde eu faria piadas do tipo “estou com o intestino preso” e “não sou do tipo que tem rabo preso, porque na verdade tenho o corpo todo”. Ainda no twitter, quero ser alvo de piadas do Bruno Mazzeo, mas com moderação. Em hipótese alguma quero ser assunto de PC Siqueira e Felipe Neto e exijo que alguém crie um “Marcus Di Bello is a rare bird from Brazil…” para sacanear os gringos.
Finalizando, gostaria de participar de um episódio de Saturday Night Live, com um esquete bem criativo numa penitenciária. E quero ser tema do Debate MTV, contanto que ninguém da mesa seja contra mim. O Lobão pode falar todas aquelas palavras difíceis que só ele entende porque eu acho aquilo muito bacana.
Essas são as minhas exigências. Não preciso nem de advogado. Basta eu ser famoso que ficarei apenas uma semana na cadeia e logo serei liberado. É sempre assim.
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Está aí uma parada que eu gosto. Ideia genial da pessoa que inventou. Se todos tivessem ideias assim o mundo seria um lugar melhor de viver. Sorvete é tão bom que eu poderia ficar horas falando bem: é indispensável ao Petit Gâteu, com banana vira banana-split e no McDonald’s custa menos que dois reais. Está bem, não fiquei horas falando bem e só consegui dar três exemplos, mas isso não tira o mérito do sorvete.
Sorvete é algo muito democrático. Pode realmente custar menos que dois reais no McDonald’s, mas um pote caprichado no mercado não sai por menos que dez reais. Existem também os lugares que vendem sorvetes caríssimos (eles usam um congelador de ouro para manter o sorvete gelado?) e os famosos picolés por cinqüenta centavos. Entende? É agradando todas as classes sociais que o sorvete conseguiu chegar a um lugar tão privilegiado. Nem um vlogger conseguiria isso a longo prazo.

Vou contar um caso pessoal que pode parecer estranho, mas é verdade. Certo dia eu me apaixonei por um pote de sorvete. A paixão foi tão grande que eu não quis comê-lo – e me sentiria mal se o fizesse. Por isso guardei o pote no congelador. Afinal, sorvetes são amigos e não comida. Mantive a minha atitude firme por algumas semanas.
O problema são as piadinhas. Sorvete vem sempre acompanhado das palavras “chupar” e “duas bolas”. Pessoas que fazem piadas desse naipe são as mesmas que escrevem ancioso ao invés de ansioso. Comer banana-split não te transforma em homossexual, a não ser que você faça isso transando com três homens e comentando que o Alexandre Borges está maravilhoso na nova novela da Globo.

Totalmente heterossexual, pode comer tranqüilo
Uma dica interessante agora: a sorveteria é um bom lugar para você levar aquela gatinha (gatinho, no caso das meninas). Veja bem, amigos, se for uma sorveteria normal será um encontro barato e sorvete é algo que forra o estômago tranquilamente. Sem contar que os beijos ficam sensacionais. É como o truque do halls. Qualquer hora eu discorro melhor sobre o assunto. Voltando à sorveteria, eu indico. Conheço pessoas que conheceram o amor da vida delas comendo sorvete.
É isso mesmo, comendo sorvete. Não sou do tipo que diz “tomar sorvete”. Eu não bebo o sorvete num copo e nem misturo com Vodka. Eu como, realmente o mastigo e sinto a textura. Beber sorvete é nojento, parece que está derretido e convenhamos que sorvete derretido é como um seio sem bico. Não sei qual o sentido da minha analogia, mas nos dois casos é muito bizarro.
Para finalizar destaco que sorvete é bom em qualquer hora e em qualquer lugar. E sobre a paixão que contei no terceiro parágrafo, bem, na quarta semana não resisti e abri o pote para comer o sorvete que tinha dentro. Surpreendi-me quando vi que era um pote com feijão congelado. Acontece.
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Taxistas são pessoas muito solitárias que conhecem todas as ruas e putas da cidade. São ótimos para dar informações, principalmente porque não cobram por isso, além de serem os principais clientes dos botecos de esquina.

Esse nem é taxista de verdade
Meu problema com taxistas é o preço que eles cobram logo quando eu entro no carro. Pagar cinco reais para abrir a porta e sentar me faz querer entrar pela janela e ficar de pé para economizar. Entretanto, concordo que pegar táxi é algo útil quando não há outra saída. Eles conhecem tantos lugares que seriam capazes de me levar para a puta que pariu.

Seu Manuel, um verdadeiro taxista
Taxistas costumam ser malandros. Se precisassem ir do Rio de Janeiro à São Paulo dariam um jeito de passar em Buenos Aires. Não que fosse algo ruim, porque é uma cidade que eu gostaria muito de conhecer. Mas pelo preço cobrado eu poderia comprar uma argentina loira de olhos azuis se quisesse.

Péssimo taxista, péssimo figurino e péssimo ator.
Uma vez certo amigo resolveu puxar papo com um taxista, ação completamente suicida. Pode parecer incoerente, afinal é de conhecimento público que são os próprios taxistas que puxam assunto. Mas passava da meia-noite e com certeza o rapaz que dirigia o carro não estava muito a fim de conversa. O diálogo que seguiu foi mais ou menos assim:
Meu amigo: Você gosta de música?
Taxista: Han?
Meu amigo: É cara, música. Você gosta de qual estilo?
Taxista: Ahn… gosto de algumas coisas, só não gosto de funk.
Meu amigo: Eu também, mas sabe que tem funk que eu gosto. Como aquela música do Adultério, acho muito legal.
Taxista: …
E até hoje eu dou risada disso.
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Sinto satisfação em ter centenas de visitas mesmo quando fico dias sem passar por aqui. Mas ao mesmo tempo sinto obrigação de escrever algo. Pelo menos dizer que eu estou bem. Não, não é isso que vocês procuram. Querem textos divertidos. Começo a procurar por algum assunto.
Faixa de pedestre. Nunca falei sobre faixa de pedestre e nunca usaram esse tema em texto humorístico. Posso falar o quanto odeio faixa de pedestre, mas não encontro argumentos. Entendo o motivo de nunca terem usado o tema. Aniversário de criança é bem corriqueiro, mas ninguém nunca falou sobre a luta pelos brigadeiros. Parece uma boa ideia escrever sobre isso. Então lembro que não tenho uma festa de aniversário desde os 6 anos de idade e que também não sou convidado por ninguém. Não tenho repertório para esse tipo de tema.

Me convida, por favor.
Abrir o editor de texto talvez ajude. Digito algumas palavras e no final percebo que estou fazendo a lista de compra do mês. Escrevo mais um pouco e me dou conta que escrevi um texto adulto. Não devia ter ficado assistindo multishow até tarde. Guardo em outro arquivo caso alguma produtora de filmes pornô entre em contato.
Minha mãe! Não, não vou escrever sobre ela. Se bem que seria uma boa ideia. Mas não, o que eu quero dizer é que ela pode ter a solução. Afinal, mãe serve para isso. Bato na porta dela e pergunto que tema eu poderia usar para escrever um texto. Ela responde dizendo “O quê? Vai dormir, são 4 da manhã”. Não é um bom tema.
Falar sobre a copa do mundo é muito batido. Falar sobre eleições é muito CQC. Falar sobre o meu dia-a-dia é muito Stand Up Comedy. Falar merda é muito Legendários. Não consigo produzir um bom texto. Logo, percebo. Eis o meu texto. Então lembro daquela ilustre frase de Pero Vaz de Caminha “O que você mais procura pode estar bem debaixo do seu nariz”, minutos antes de descobrir que o que ele procurava era a própria a boca.
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